O que fazer quando estou com um zumbido?

O zumbido ou tinnitus pode ser definido como uma sensação de som percebido pelo indivíduo, independente de uma fonte sonora externa. Um terço da população adulta sofre ou já sofreu com esta manifestação. A maioria destas pessoas não se incomoda com o zumbido, só o percebendo em situações especiais, como no silêncio ou após ingestão de álcool. Cerca de cinco por cento dessas pessoas apresentam queixas variáveis, sendo que em algumas delas chegam a ser incomodativas, dificultando as funções mentais, tais como, raciocínio, memória e concentração.

Sabemos que o zumbido é um problema que afeta cerca de 17% da população mundial e causa sofrimento significativo em 4% das pessoas em geral (aproximadamente 6 milhões no Brasil) e, que apesar de haver diversas teorias sobre sua causa, nenhuma teve comprovação científica devido à falta de métodos objetivos e não invasivos para detectar o zumbido e para localizar a atividade neuronal a este relacionada.

O zumbido pode estar associado a perdas auditivas, infecções de ouvido, otosclerose, vertigens, efeito de drogas ototóxicas, exposição prolongada a ambientes muito ruidosos, alterações metabólicas e/ou circulatórias, estresse, depressão, ansiedade e a orientações negativas. Por esta razão, não existe um único tratamento que seja eficaz para todos os tipos de zumbido e, em alguns casos, o zumbido não desaparece por completo. Por outro lado, existem muitos tratamentos que dimiuem e até eliminam o zumbido. A eficácia do tratamento dependerá da causa do problema (se é identificável ou não, tratável ou não), da resposta individual do paciente àquele tratamento (nem todos os organismos reagem da mesma maneira aos medicamentos) e da discplina e perseverança do paciente, pois qualquer tratamento falhará se não for rigorosamente seguido.

Geralmente é dito aos pacientes que eles devem “aprender a conviver com o problema”, o que não é muito animador para quem está incomodado com ele…

As causas do zumbido são múltiplas:

  • Rolha de cerume e infecções
  • Perfurações da membrana timpânica
  • Afecções do ouvido médio
  • Aneurismas
  • Alergias
  • Neuroma do acústico
  • Hipertensão arterial
  • Hipotensão arterial
  • Tumores
  • Diabetes
  • Disfunções tireoidenas
  • Medicamentos: antiinflamatórios não hormonais, antibióticos, antidepressivos, aspirina
  • Abuso de cafeína
  • Depressão
  • Exposição a Ruído
  • Hiperlipidemia
  • Ansiedade
  • Bruxismo
  • Traumatismos de cabeça e pescoço
  • Presbiacusia (diminuição da acuidade auditiva no idoso)

Existem alguns tipos de zumbido, cujas causas ainda não foram esclarecidas; são, portanto idiopáticos. O zumbido pode ser multifatorial, ou seja, em um mesmo indivíduo, poderá ter várias causas ao mesmo tempo. Zumbido não é uma doença, mas sim um sintoma e portanto, o diagnóstico etiológico é fundamental para um tratamento adequado, sendo o tratamento dirigido à causa do zumbido, sempre que possível.

O tratamento do zumbido é realizado com medicamentos (com melhora em aproximadamente 50% dos casos); TRT(Tinnitus Retraining Therapy), técnica que tem a finalidade de desmistificar o zumbido e demora de 12 a 18 meses para ter resultado; Grupos de apoio aos pacientes com zumbido; uso de aparelhos geradores de som e uso de aparelhos de amplificação sonora individual quando houver perda auditiva e zumbido associado. Importante é o papel do médico, na orientação do paciente portador de zumbido, explicando as causas, a fisiopatologia, aplicando o tratamento mais adequado, orientá-lo em relação ao prognóstico, esclarecer as dúvidas, manter uma estreita relação médico-paciente, resultando em maior conforto ao paciente, diminuindo sua ansiedade e ajudando à desmistificar o zumbido.

Orientações úteis, que podem minimizar o zumbido, quando não se conhece sua causa:

  • Evitar a exposição a ruídos de grande intensidade
  • Controlar regularmente a pressão arterial
  • Diminuir a ingestão de sal
  • Evitar excesso de cafeína,alcool,nicotina
  • Fazer exercícios fisicos regularmente (para diminuir o stress)
  • Evitar fadiga excessiva
  • Terapias de relaxamento, como yoga, meditação
  • Evitar o uso de medicamentos, sem orientação médica
  • Formação de grupos de apoio aos pacientes com zumbido para compartilhar experiências

Terapia de Habituação do Zumbido (TRT)

Há muito tempo se sabe que não existe qualquer relação entre o grau de incômodo que a pessoa tem com o zumbido e a sua intensidade, a frequência (mais grave ou mais agudo) ou o tipo de zumbido (chiado, apito, etc). Mas foi um modelo neurofisiológico desenvolvido por Pawell Jastreboff explicou porque duas pessoas com zumbidos idênticos poderiam ter reações totalmente diferentes uma da outra (uma poderia sentir um incômodo terrível e a outra nem percebê-lo). Tal estudo serviu de base para a criação de um tratamento chamado de TRT (Tinnitus Retraining Therapy), ou Terapia de Habituação do Zumbido.

A proposta da TRT é que o paciente aprenda a tratar o zumbido da mesma forma como trata o som da geladeira da cozinha, por exemplo, o qual geralmente não se percebe, e quando é ouvido não causa incômodo. A TRT ajuda o paciente a modificar os reflexos envolvidos nas conexões do sistema auditivo com os sistemas límbico (que controla as emoções) e nervoso autônomo (que controla as reações), treinando a parte subconsciente das vias auditivas centrais a bloquear a chegada do sinal do zumbido até o córtex.

O método consiste de duas partes de igual importância e que seguem protocolos específicos para cada caso: sessões intensivas de orientação dirigida e enriquecimento sonoro.

Nas sessões de orientação o paciente aprende sobre o funcionamento das vias auditivas, sobre os mecanismos de geração e percepção do zumbido e sobre a TRT.

O enriquecimento sonoro prevê o uso de sons contínuos e suaves que dimunirão a percepção do zumbido. Esses sons podem advir de Geradores de Som Individuais (pequenos aparelhos colocados atrás da orelha que emitem um ruído constante de banda larga em intensidade controlada), de Geradores de Som Ambientais (aparelhos que emitem sons da natureza) ou de outra fonte de som suave e contínuo, como ventiladores, CDs com sons da natureza, fontes de água e até mesmo de rádios fora de sintonia. Pessoas com perdas de audição podem usar próteses auditivas (que melhoram a audição por meio da amplificação dos sons) em associação com os sons ambientais ou com os geradores de som ambientais.

É importante salientar que os sons usados não devem chegar a encobrir o zumbido pois, é impossível que alguém se habitue com um som se não consiguir escutá-lo.

A continuidade do tratamento é fundamental para o seu sucesso. O paciente deve atender a sessões de acompanhamento, geralmente três vezes no primeiro semestre de atendimento e depois a cada seis meses. Nessas sessões são feitos novos testes auditivos, são aplicados questionários que avaliam o progresso do tratamento e as dúvidas do paciente são esclarecidas. O acompanhamento se extende por um período que varia entre 12 e 24 meses.

É importante observar que a TRT poderá ser associado a outros tratamentos quando necessário, e que os resultados terapêuticos podem variar para cada indivíduo.
Pontos importantes
bullet

A TRT não é uma cura, pois o paciente poderá perceber o zumbido se focar sua atenção nele. Não remove a fonte do zumbido, e sim as reações negativas a ele associadas.
bullet

A TRT não deve ser realizada sem o diagnóstico e a indicação do seu otorrinolaringologista.